sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sigam-me no meu novo portal!

Olá, pessoal!

Faz um booom tempo desde que apareci aqui a última vez, não é?

Pois bem, peço perdão a todos que esperaram uma atualização nesses últimos tempos, mas compromissos muito importantes acabaram tomando todo o meu tempo reservado para o Blog. Senti muita falta, de verdade!

Mas venho avisar a vocês que me seguem aqui que agora que já me formei Nutricionista, estou com um portal no Facebook e no Instagram, onde posto dicas e alguns textos para a comunidade interessada nos assuntos de nutrição e, principalmente, nutrição voltada ao esporte.

O link é: http://www.facebook.com/drbrunodias

O Instagram é: @drbrunodias

Sigam-me, Curtam a página e postem suas dúvidas e sugestões de temas que queiram que eu fale um pouco mais!

Lembrando que aqueles que quiserem ter um acompanhamento nutricional especializado e personalizado, eu atendo em Salvador-BA. Os contatos estão na página do Facebook para vocês terem acesso!

Grande abraço e aguardo vocês lá!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Alimentos Termogênicos

Olá, pessoal!

Hoje venho postar rapidamente no blog para divulgar um artigo que escrevi pro site iSaudeBahia, que faz parte do portal iBahia.com.

O site aborda diversos temas de interesse público voltados para saúde e é muito informativo e interessante.

O link da matéria é: http://www.isaudebahia.com.br/noticias/detalhe/noticia/entenda-o-que-sao-os-alimentos-termogenicos-e-de-que-forma-eles-lhe-ajudam-a-emagrecer/

O tema? O título já diz: O que são e para que servem os alimentos/suplementos termogênicos.

Abraços a todos!


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Termogênicos X Ácido Linoleico X Quitosana

Olá, seguidores! Hoje falaremos um pouco sobre esse tema que o leitor Guilherme Dória me sugeriu. Muitas pessoas não sabem a diferença entre esses suplementos que visam o emagrecimento, muitas vezes achando todos são iguais, o que não é verdade. Hoje aprenderemos sobre as diferenças, a aplicabilidade e a segurança de uso dos termogênicos, do ácido linoleico e da quitosana.


Os suplementos termogênicos, como o próprio nome já diz, são produtos que objetivam a termogênese, ou seja, o aumento do gasto energético (que gera calor). A termogênese pode ser induzida pelo exercício, pela alimentação, e também por substâncias específicas, chamadas de substâncias termogênicas. A maioria dessas substâncias são estimulantes do sistema nervoso central, deixando a pessoa com mais energia e apta a desempenhar os exercícios físicos. Um sistema muito popular envolvido nessa maior liberação de energia é o sistema adrenérgico (liberação de adrenalina), que é um hormônio que atua diretamente no aumento do gasto energético e na maior queima de gordura como fonte de energia. Algumas substâncias, como a cafeína por exemplo, atuam nesse sistema, aumentando a liberação de adrenalina.


De uma forma geral, os termogênicos são baseados em não só uma, mas várias substâncias termogênicas como a cafeína, capsaicina, ioimbina, octopamina, L-tirosina, sinefrina, entre outras. A ação dessa substâncias quando em conjunto é mais eficaz na queima da gordura do que quando elas se encontram isoladas, o chamado efeito sinérgico. A recomendação destes suplementos depende da concentração dos componentes da fórmula, dos tipos de componentes e do processo farmacêutico ao qual foram submetidos. Existem termogênicos mais leves que podem ser utilizados durante o dia e até mesmo à noite, podendo ser utilizados antes das refeições para aumentar saciedade e contribuir para a termogênese induzida pelo alimento. Outros de liberação mais lenta, mesmo com concentrações elevadas, podem ser utilizados durante o dia também (LEIA MAIS SOBRE ISSO AQUI), aumentando o gasto energético durante um tempo mais longo. Por fim, os mais concentrados e que não passam por uma encapsulação mais complexa podem ser utilizados imediatamente antes do exercício físico, promovendo maior disposição, energia e queima de gordura naquele período. Precauções: os termogênicos devem ser prescritos por um nutricionista ou um médico capacitado; contraindicação em casos de: problemas cardiovasculares, problemas de pressão arterial, distúrbios do sistema nervoso central como depressão, ansiedade, entre outros, gestação e uso de medicamentos inibidores da monoaminooxidase (IMAO).

Os suplementos baseados em Ácido Linoleico são, antes de tudo, suplementos de lipídeos, ou seja, de gorduras. O ácido linoleico (LA) é um tipo de gordura saudável que faz parte da família ômega-6 encontrada em vegetais como o cártamo, por isso: Óleo de cártamo. A concentração de LA nesse óleo é altíssima, o que leva aos produtos do ramo serem à base do cártamo. Apesar de exibir uma ação termogênica leve (por aumentar o gasto energético), tal suplemento não é caracterizado como termogênico, principalmente por não conter nenhuma substância estimulante, sendo estritamente composta à base de um macronutriente (lipídeos). O LA exerce seu efeito emagrecedor em nível celular, ou seja, ele atua dentro da sua célula de gordura, principalmente naquela gordura situada na região abdominal (atenção: não é aquela gordura que está entre a pele e o músculo, é a gordura visceral, que envolve os órgãos internos, dando aquele aspecto de barriga dura) quebrando a gordura existente e liberando-a para a corrente sanguínea, onde ela irá pra outros órgãos/tecidos onde será queimada. Além disso, o LA também inibe o acúmulo de gordura nas células lipídicas, ou seja, à medida em que ele "esvazia" a célula de gordura, também impede a formação de novos estoques. Seu efeito é mais sentido na região da barriga, diminuindo as medidas da cintura.

 Apesar de na teoria ser algo lindo, na prática nem sempre é essa maravilha toda. Há evidências que mostram que essa gordura liberada no sangue não é queimada como fonte de energia, sendo levada ao fígado, o que induziria a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), o que por si só já é algo preocupante do ponto de vista da saúde, aumentando o estado inflamatório e o estresse oxidativo no organismo, podendo até levar à resistência à insulina e posteriormente à diabetes. O LA também exerce seu efeito em células musculares, mas com contribuição bem menor do que nas células de gordura. Apesar desses riscos citados, o LA é um suplemento considerado seguro para uso, desde que respeitada a dosagem ideal, que gira em torno de 5g de óleo por dia (5 cápsulas dos suplementos encontrados no mercado). É importante frisar que doses acima dessa recomendação podem induzir aos efeitos citados acima e também levar ao aumento de peso, pois trata-se de gordura, e quando esta está em excesso, tende a se acumular.

Por fim, a quitosana, também conhecida como bloqueadora de gordura, é uma substância extraída da carapaça de crustáceos que tem como função envolver a gordura da alimentação impedindo que ela seja absorvida no nosso intestino. Seu mecanismo é o mais simples dentre esses suplementos. Devemos ingerir a quitosana (em cápsulas) junto com a alimentação, para que a gordura presente no alimento seja englobada e não seja absorvida, atravessando o intestino e sendo expelida nas fezes. Um efeito é óbvio: a gordura não absorvida não contribui para o aumento nos estoques de gordura. O outro efeito, que é contraditório devido a alguns estudos é a diminuição nos níveis de colesterol sanguíneo. Contraditório por não ter sido comprovado cientificamente ainda, mas a teoria é bem simples também: para digestão e absorção da gordura, nós liberamos a bile, que é rica em sais biliares, que por sua vez são formados a partir do colesterol sanguíneo. Acontece que a bile é reaproveitada no intestino, ou seja, nós reabsorvermos ela para utilizarmos posteriormente. Como a quitosana também envolve a bile, não conseguiríamos reabsorver os ácidos biliares, tendo que forma-los novamente utilizando o colesterol sanguíneo, assim diminuindo-o.

Como precaução, pessoas com hipersensibilidade/alergia a frutos do mar não devem ingerir os suplementos à base de quitosana. Um efeito que pode acontecer é a esteatorreia, ou seja, eliminação de gordura nas fezes, devido ao mecanismo de ação do suplemento. Importante: Não é um suplemento feito para usar por longos períodos, pois ele inibe também a absorção de vitaminas lipossolúveis (Vitaminas A, D, E e K), podendo levar a deficiências nutricionais destes micronutrientes.

Espero ter ajudado a diferenciar e explicar um pouquinho sobre estes suplementos emagrecedores que as pessoas sempre procuram na tentativa de perder aqueles quilinhos extras. Apesar de muito populares, é fundamental a prescrição por profissional da área capacitado (nutricionista ou médico) para que os objetivos sejam atendidos sem prejuízos à saúde. E lembrem-se sempre: a alimentação + treinamento físico + descanso adequado são sempre mais importantes do que qualquer suplemento "milagroso" que existe por aí.

Grande abraço e até a próxima.


domingo, 18 de março de 2012

Bebidas energéticas e esportivas - Pra que servem?



Fala, pessoal!

Após um longo período de abstinência do blog (só em postagens, porque os comentários continuo lendo e respondendo a todos!), volto com esse novo post.

A partir da semana que vem darei continuidade à série de matérias Suplementos da Moda, que vem dando o que falar, aguardem! Enquanto isso, a pedido de minha querida colega nutricionista Fabiana Dias, escrevi uma matéria sobre bebidas esportivas para o blog Nutricionices, de sua autoria. Clique aqui para ler!

Aproveitem e confiram as excelentes matérias do blog que trata de alimentação saudável, receitas deliciosas (e saudáveis), excelentes dicas de nutrição, entre outras coisas. Vale a pena dar uma conferida.

Grande abraço e até mais!


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

É possível perder peso e manter músculo?

Olá, pessoal!

Após muito tempo volto a atualizar o blog. Foram diversos pedidos e sugestões de temas e fico extremamente feliz por vocês estarem gostando dos assuntos abordados aqui. A vida anda muita corrida e vou tentar não ficar tanto tempo sem atualizar, ok?

Mas vamos ao que interessa. Muitas pessoas pediram para eu abordar esse assunto, então resolvi falar um pouco, repito UM POUCO, desse tema que sem sombra de dúvida todo mundo se interessa, basta citarmos um exemplo prático: qual é o objetivo de todos que malham e se alimentam bem? "Ganhar massa muscular e perder gordura". O problema é que nós veremos que isso é um pouco complicado de se obter ao mesmo tempo, mas existem manobras que podem ser feitas para contornar esse processo.

Bom, para começar é importante deixar bem claro que para se perder peso, necessariamente o balanço calórico deverá ser negativo, ou seja, você deverá gastar uma quantidade de energia superior àquela que você ingere diariamente. Por isso, a prática de exercícios é fundamental nesse gasto energético elevado e a dieta é imprescindível para adequar as necessidades nutricionais aos objetivos.


"Mas dá para ganhar músculo e perder gordura ao mesmo tempo?"  É até possível se conseguir isso ao mesmo tempo, porém é muito demorado, já que o balanço calórico deverá ser próximo de zero (gasto energético = consumo energético). Nesse caso, uma dieta e um programa de exercícios bem controlados podem gerar tal resposta. Em relação à dieta, a preocupação está bem mais na proporção de macronutrientes e micronutrientes do que no valor calórico em si. Mas como eu mencionei, é muito difícil e lento. Vale mais a pena investir num processo de perda de peso para posterior hipertrofia.

Então se a preocupação é perder peso e preservar ao máximo a massa muscular, algumas medidas podem ser adotadas. Para começar, o programa de exercícios feito pelo seu treinador deverá unir os tipos aeróbios e anaeróbios de exercício, já que os dois praticados em conjunto trabalham tanto a musculatura no sentido de perda de peso como no sentido de hipertrofia. Claro que nesse caso o trabalho de hipertrofia não será o foco, sendo muitas vezes um trabalho de resistência/condicionamento muscular do que hipertrofia propriamente dito. A dieta, por sua vez, deverá ser hipocalórica (fornecer menos energia do que o que é gasto diariamente), já que o que se trabalha é a perda de peso.

Os segredos para ajudar na manutenção de massa magra são simples. Primeiro, aumentar o número de refeições diárias. Isso parece bobagem, já que em qualquer programa de TV, rádio, e blog da internet diz que você deve comer cerca de 6 vezes por dia, já está todo mundo de saco cheio de saber disso, não é? Acontece que os estudos vêm demonstrando que realizar várias refeições (em pequenas porções) durante o dia favorecem a perda de peso por diversas razões. Dentre as mais importantes, posso citar que ao comer com intervalos regulares (média de 3h) a gente ajuda no controle do apetite, evitando ficar com muita fome e acabar comendo demais na próxima refeição. Outro motivo importantíssimo é que dessa forma nós evitamos os picos de anabolismo no nosso corpo (não me refiro ao anabolismo muscular, ok?). Quando comemos uma grande refeição e ficamos por muito tempo sem nos alimentar, é como se o corpo tivesse um sinal de que é necessário estocar o máximo de nutrientes possíveis para passar tanto tempo sem receber energia (alimento), e como é que nosso corpo estoca energia de maneira mais eficiente? GORDURA! Logo ingerir várias refeições pequenas durante o dia ajuda o corpo a estocar menos e gastar mais, dessa forma acelerando seu metabolismo (aumentando o gasto energético e diminuindo o estoque).

Outro detalhe que ajuda na preservação da massa muscular é o consumo de proteína. Estudos têm mostrado que indivíduos participantes de um programa de treinamento com dietas hipocalóricas e hiperproteicas (1,6-2,0g/KgP de proteína/dia) perdem peso com maior proteção à musculatura. Ou seja, aumentar um pouco a ingestão de proteínas diminui a degradação do seu músculo. Isso significa que quanto mais proteína, melhor? De forma alguma. Se a ingestão de proteína for acima do recomendado, tem-se o efeito contrário até, mais proteína é degradada.

Mas o que importa não é só a quantidade de proteína por dia, mas como essa proteína está distribuída nas refeições. É até comum vermos na prática nutricionistas só se preocuparem com a proteína nas grandes refeições (desjejum, almoço e jantar). Porém uma série de estudos, que até já abordei aqui no blog, mostraram que a ingestão recorrente de proteína ajuda a inibir a degradação muscular e a aumentar a síntese proteica no músculo. Então, vamos supor que um indivíduo de 70Kg consuma 2g de proteína por quilo de peso, dando um total de 140g de proteína por dia. A melhor forma de distribuir essa proteína é igualmente nas refeições, supondo que ele faça 6 refeições por dia, daria um total de 23g de proteína por refeição. E é aí que entra uma observação legal: é complicado obter essa quantidade de proteína em toda refeição, principalmente nos lanches. Nesse caso os suplementos proteicos podem ser bastante úteis (barrinhas, pós, cápsulas). Vale ressaltar que a qualidade da proteína é fundamental no programa dietético, então devemos priorizar as carnes magras (aves, peixes, cortes bovinos sem capa de gordura) e proteínas de alto valor biológico de fontes vegetais, como a soja.

E as gorduras? Bom, pecado preferido de quem quer emagrecer é achar que tirando toda gordura da alimentação está fazendo o correto. Existem gorduras que nós não produzimos e precisamos obter através da dieta, são os chamados ácidos graxos essenciais (AGE). Presentes principalmente nos óleos vegetais e em peixes, esses óleos são importante para diversas funções no nosso organismo, mas uma em especial que é muito pouco abordada e fruto de interesse pra nosso tema: tais gorduras fornecem fluidez à membrana das células, fazendo com que elas funcionem adequadamente. Isso acontece na célula muscular também, logo se há falta desses nutrientes nas membranas, a célula fica mais susceptível a danos e agressões, podendo aumentar a perda de massa muscular. Então, não esqueçam de ingerir os AGE diariamente.

Quem quer emagrecer com saúde não deve eliminar os carboidratos da dieta, hein?! Essa é outra mania de quem emagrece sem orientação nutricional. O resultado é rápido? É, mas a rapidez com que o peso volta após a reintrodução dos carboidratos na dieta é ainda mais avassaladora. Fora todos os malefícios que essa dieta isenta de carboidratos causa ao organismo, mas que não dá pra citar aqui, senão vai virar um livro (rs). O ideal de carboidrato deve ser calculado pelo nutricionista a fim de equilibrar suas necessidades. Menção honrosa à hidratação, já que o músculo é um tecido extremamente irrigado e níveis adequados de água ajudam a preservá-lo.

Para finalizar, podemos falar de suplementos alimentares que ajudam a preservar massa muscular durante um programa de perda de peso. Dentre os mais comuns e famosos está o BCAA (Aminoácidos de Cadeia Ramificada). Acontece que essa recomendação é mais teórica do que prática. Poucos estudos conseguem provar que o consumo de BCAA diminui a degradação proteica. Estudos mais novos mostram que o BCAA numa quantidade de 100mg/Kg de peso/dia dão bons resultados, pode ser uma boa estratégia e que venha a ser comprovada no futuro. Proteínas, como já citei, devem ser utilizadas com bom senso e coerência. O uso de suplementos lipídicos (com AGE) é extremamente benéfico pra saúde e, como já mencionei, podem diminuir a perda da musculatura. Por fim, a creatina pode ser usada como importante coadjuvante em todo processo. Ela ajuda a manter um estado de anabolismo dentro da célula muscular, aumentando síntese proteica e diminuindo degradação, nesse caso sendo um importante ajudante na manutenção de força e volume muscular.

Bom, por hoje é só, pessoal. Este é um assunto muito extenso e tenho certeza de que não cobri tudo que ele abrange. Mas espero que as dúvidas sejam tiradas pelos comentários e a gente consiga enriquecer ainda mais o blog com conhecimento.

Grande abraço, até a próxima!
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Referências


1. Kreider et al. ISSN exercise & sport nutrition review: research & recommendations Journal of the International Society of Sports Nutrition 2010, 7:7.
2. Campbell et al. International Society of Sports Nutrition position stand: protein and exercise Journal of the International Society of Sports Nutrition 2007, 4:8.
3. La Bounty et al. International Society of Sports Nutrition position stand: meal frequency Journal of the International Society of Sports Nutrition 2011, 8:4.



terça-feira, 30 de agosto de 2011

A importância da proteína para hipertrofia muscular

E aí, pessoal, tudo bem?

Peço perdão pela falta de atualização no blog, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na vida dão nisso. Mas coisas boas, ao menos!

Hoje resolvi escrever um pouco sobre a importância da proteína na dieta de quem objetiva a hipertrofia muscular, na verdade quase tudo do que vou falar serve também para quem não possui objetivo de hipertrofia. O motivo de eu abordar esse tema é a grande quantidade de informações equivocadas que são disseminadas entre os praticantes de exercício físico nas academias, principalmente aqueles que se espelham em fisiculturistas...

Para começar, o nutriente mais importante para hipertrofia muscular é o CARBOIDRATO, e não a proteína, como muitos pensam devido ao músculo ser formado basicamente por proteína. O motivo é simples: o carboidrato é o nutriente essencial para manter um estado anabólico no nosso corpo, ou seja, um estado em que formamos tecidos (nesse caso em particular me refiro ao tecido muscular). Tudo isso porque o carboidrato (glicose) é a forma que preferencialmente fornece energia para nosso corpo. Sem carboidrato, nós passamos a utilizar proteína como fonte de energia, aumentando a formação de produtos tóxicos no nosso organismo, que leva a uma série de consequências negativas na nossa saúde como cetoacidose, inflamação e até mesmo hipoidratação. Além disso, o carboidrato é essencial para um potente estímulo à insulina, um hormônio essencial para anabolismo muscular por participar da ativação da síntese proteica muscular. Outro motivo: os nossos músculos mantêm reservas de energia intracelulares na forma de glicogênio, que não passa de um polímero (várias unidades unidas) de GLICOSE, e para recuperarmos nosso músculo após uma sessão de exercício físico precisamos primeiramente recuperar o glicogênio muscular. Isso sem falar no glicogênio hepático (do fígado) que precisa estar recuperado também. Proteína faz esse papel? Fazer até faz... mas demora muito mais do que o carboidrato e não faz com a mesma qualidade, gerando aqueles produtos tóxicos que eu já citei...

Após desmitificar esse aspecto das proteínas, outro mito que deve ser combatido é o dizer "quanto mais proteína, melhor para hipertrofia". Talvez esse seja ainda mais disseminado do que o anterior. É comum vermos pessoas "se entupirem" de proteína pensando que vão melhorar a hipertrofia muscular. Na verdade, nosso organismo não possui capacidade de estocar aminoácidos (as unidades que formam a proteína) como estocam carboidrato e gordura... Ou seja, todo excesso de aminoácido será oxidado para gerar energia ou será transformado em gordura e estocado no tecido adiposo. Existe uma necessidade maior de proteína para quem pratica exercício físico comparado a uma pessoa sedentária? Sim. E essa necessidade é maior para quem faz musculação em relação a quem pratica corrida de longa duração, por exemplo. Para falarmos de valores, hoje na literatura científica esse valor gira em torno de 1,6 até 2,0 gramas de proteína por quilo de peso corporal. Para um indivíduo de 70kg, por exemplo, a ingestão de proteínas deve ser até 140g por dia. O excedente a esse total provavelmente terá um dos dois destinos supracitados.

Outro aspecto importantíssimo que pouquíssimas vezes é considerado no planejamento de uma dieta (inclusive por muitos nutricionistas) é o fracionamento da proteína na dieta. Pegando o exemplo acima, um indivíduo de 70kg que consome 140g de proteína por dia... Ele deve ingerir 140g de uma vez só? Deve concentrar mais no almoço e no jantar? Nem um, nem outro. O ideal mesmo para quem quer estimular ao máximo a síntese proteica muscular é colocar fontes de proteína em toda refeição que fizer durante o dia. A quantidade ideal depende muito desse cálculo (Grama de proteína / Quilo de peso), mas alguns estudos mostraram que cerca de 20g de proteínas em cada refeição é o ideal para estimular a síntese proteica. Quantidades acima disso não aumentariam significativamente a síntese e ainda aumentariam a oxidação (degradação) de aminoácidos.


A fonte dessa proteína é importante? Claro. Estudos comprovaram que existem aminoácidos específicos que ativam a síntese proteica, são os chamados aminoácidos essenciais (aqueles que o organismo não produz, sendo necessário ingeri-los pela alimentação). O que isso quer dizer? Quer dizer que se você consumir fontes de proteínas com elevado teor de aminoácidos essenciais (proteínas de alto valor biológico), você terá um resultado melhor para hipertrofia muscular. Quais são essas fontes? De uma forma geral proteínas animais  como leite e derivados, ovo de galinha, carne bovina, frango, peixe, carne de porco, cabra, etc. Fontes vegetais de proteínas não são boas fontes de aminoácidos essenciais, com exceção da soja, que apresenta alto valor biológico.


E quanto ao momento pré/pós-treino? Existem evidências científicas de que a ingestão de proteínas (com carboidratos) logo após o treinamento resistido (ou seja, com pesos) estimula melhor a recuperação muscular. É a chamada janela de oportunidade ou janela metabólica. Até 15 minutos pós-treino seria o momento ideal para ingerir uma fonte de proteína de alto valor biológico (rica em aminoácidos essenciais), melhorando a resposta anabólica após exercício. Vale salientar que a recuperação apenas começa no pós-treino imediato, ela só termina mesmo em média em 24 horas, podendo se estender até 72h a depender da intensidade do estímulo (exercício). Alguns estudos inclusive apontam benefícios da ingestão proteica pré-exercício, mas aí entra naquela regra da proteína em toda refeição, nesse caso na refeição pré-treino.

Acho que abordei bastante coisa sobre as proteínas, mas se esqueci alguma coisa, por favor perguntem nos "Comentários", que responderei prontamente, Ok?

Por hoje é só, grande abraço a todos!
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Referências


1. MOORE, D. R. et al. Ingested protein dose response of muscle and albumin protein synthesis after resistance exercise in young men. Am J Clin Nutr 2009;89:161–8.
2. MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 6ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
3. BORSHEIM, E. et al. Essential amino acids and muscle protein recovery from resistance exercise. Am J Physiol Endocrinol Metab, 283(4). 2002.
4. ARNY, A. F. et al. Essential amino acids for muscle protein accretion. Strength and Conditioning Journal. 32(1), 2010.
5. HULMI,J. J. et al. Effect of protein/essential amino acids and resistance training on skeletal muscle hypertrophy: A case for whey protein. Nutrition & Metabolism, 7:51, 2010.
6. ZIEGENFUSS, T. N. et al. Protein for sports - New data and new recommendations. Strength and Conditioning Journal. 32 (1), 2010.
7. LOWERY, L. M.; DEVIA, L. Dietary protein safety and resistance exercise: what do we really know? Journal of the International Society of Sports Nutrition 6:3, 2009.
8. RASMUSSEN, B. B. et al. An oral essential amino acid-carbohydrate supplement enhaces muscle protein anabolism after resistance exercise. J Appl Physiol 88:336-392, 2000.
9. KREIDER, R. B. et al. ISSN exercise & sport nutrition review: research & recommendations. Journal of the International Society of Sports Nutrition 7:7, 2010. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Proteína em excesso prejudica os rins e o fígado?

Alvo de discussão entre profissionais da área de saúde, o consumo de proteínas ainda é um ponto de discórdia entre os nutricionistas. Essas divergências são em relação à quantidade de proteína presente nas dietas e seus potenciais deletérios ao fígado e aos rins.

Entenda o motivo dessa discussão: o excesso de proteína será oxidado (quebrado para formação de energia) ou transformado em gordura pelo fígado. Nesse processo, há a formação de amônia no sangue, um composto tóxico que precisa ser excretado do organismo. 
A amônia é transformada em ureia (principalmente no fígado e em menor percentual nos rins) para ser, posteriormente, eliminada na urina. Logo, o fígado passa a trabalhar mais para suprir essa necessidade, assim como os rins, que filtram o sangue para eliminar a ureia.

Em pessoas com problemas hepáticos e/ou renais pré-existentes, ou seja, o consumo excessivo de proteína por essas pessoas agrava o quadro de lesão do fígado e dos rins. Por causa desse processo, por inferência, historicamente é citado nos livros que o excesso de proteínas na dieta, por causa da maior formação de amônia, causa problemas hepáticos e renais em indivíduos saudáveis.

Inúmeros estudiosos realizaram procedimentos científicos para verificar se tal condição é verdadeira, mas falharam nesse objetivo. Não é cientificamente provado que o excesso de proteínas na dieta de uma pessoa saudável constitui risco para lesão hepática ou renal. A teoria de quem defende esta tese é de que o fígado/rim saudável passa a trabalhar mais devido à maior formação de amônia, mas consegue “dar conta do recado”.

Portanto, parece que o consumo aumentado de proteínas não oferece risco de saúde para pessoas previamente saudáveis, porém não é verificado nenhum benefício adicional também.

A quantidade ideal de proteínas na dieta é determinada por um nutricionista, que irá prescrever a quantidade correta para os objetivos e necessidades do paciente, fornecendo também uma proporção adequada entre os macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) e micronutrientes (vitaminas e minerais) para promoção e manutenção da saúde.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Suplementação para o Endurance

Fala, pessoal!

Infelizmente o blog não está sendo atualizado como eu desejo nessas últimas semanas. Final de semestre é assim mesmo!!

Para não deixar a poeira baixar, segue um link para uma matéria que escrevi para o site da SNC (Sports Nutrition Center) de Salvador. Aliás, pra quem procura suplementos de qualidade e atendimento de altíssimo padrão, lá você encontra! A equipe de nutrição de lá é simplesmente show!

O Link para o site da SNC está aí do lado esquerdo nas minhas indicações de sites. O link da matéria é esse AQUI!

Aproveito a deixa para indicar outro blog que está bombando e fala TUDO sobre gorduras, emagrecimento e tudo que é relacionado a essas células tão odiadas! É o blog NutriLipid (link AQUI e também na lista de indicações)! Esse vale a pena seguir, gente!

Por hoje é só! Grande abraço!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Suplementos Nacionais x Importados


Olá, pessoal! Resolvi escrever sobre um dos temas mais discutidos entre os consumidores de suplementos nutricionais: a qualidade dos produtos brasileiros. É quase um consenso entre essas pessoas que os produtos nacionais, em sua grande maioria, "não prestam". Mas será que isso tem fundamento? Os produtos importados são realmente mais confiáveis?

A indústria de suplementos nutricionais para o esporte é uma das maiores e mais lucrativas do mundo. Por mês, nos Estados Unidos, cerca de 40 mil atletas gastam um total de 300 dólares em suplementos, enquanto que os atletas recreacionais gastam em média 80 dólares por mês. Só para se ter uma ideia, em 2001, há 10 anos, foram gastos 400 milhões de dólares  em suplementos nos Estados Unidos.

No Brasil, o comércio de suplementos alimentares vem crescendo em ordem exponencial. E com o mercado em ascensão, é abundante a oferta de marcas e produtos importados, assim como nacionais, já que as fábricas brasileiras também acompanharam o crescimento mundial. Mas na hora da compra, ainda são maioria aquelas pessoas que preferem o produto importado. Os motivos são os mais variados: credibilidade da marca, preço, preconceito com os produtos nacionais, marketing, etc.

O que essas pessoas não sabem é que são poucos os suplementos nacionais que usam matéria prima de origem brasileira. Ou seja, o produto bruto (sem passar por processamentos finais) do suplemento nacional vem do mesmo lugar de onde vem o do suplemento importado. Então, se acredita que os suplementos importados possuem melhor qualidade por serem produzidos lá fora, mas o ingrediente muitas vezes é o mesmo e veio do mesmo distribuidor, exemplo clássico disso são as famosas proteínas do soro do leite, mais conhecidas como Whey Protein.

É bem verdade que em alguns produtos nacionais já foram encontradas substâncias proibidas na formulação e que foram omitidas no rótulo nutricional (prática ilegal). Mas a indústria estrangeira também coleciona inúmeros casos de adulteração de produtos com substâncias ilícitas, a diferença é que muitas vezes isso não chega ao nosso conhecimento. Logo, não é de exclusividade brasileira tais casos. E comete um erro quem acha que o controle de fiscalização desses produtos nos Estados Unidos é maior, na verdade é tão deficitário quanto no Brasil (haja vista a quantidade de suplementos potencialmente perigosos que são permitidos por lá).

Mas, Bruno, pelo fato de nos Estados Unidos a indústria da suplementação esportiva ter mais tempo de atividade e contar com marcas mundialmente conhecidas, não haveria uma maior preocupação da parte delas em fazer um produto confiável? A resposta é: Talvez sim. E na prática é isso que observamos, em termos percentuais, as marcas importadas apresentam uma confiabilidade maior devido ao histórico e reputação. Como no Brasil há poucas marcas de suplementos, algumas que já provaram não merecer confiança do consumidor acabam por “sujar” a imagem de empresas sérias e comprometidas com a ética.

E em termos de tecnologia e processos de fabricação? Lá fora é superior? Alguns processos de fabricação realmente parecem ser mais evoluídos na indústria americana. O que posso garantir é que existem empresas brasileiras que têm tecnologia de ponta na fabricação de suplementos alimentares.

Ainda existe a percepção equivocada do povo brasileiro de que “tudo que vem de fora é melhor”, causando uma enorme dificuldade às fábricas brasileiras em competir com as importadas. Enquanto que por um lado os preços nacionais são mais competitivos por não sofrerem uma série de impostos de importação – o que permite às fábricas nacionais oferecerem produtos melhores e mais baratos –, por outro lado fica difícil competir com o preconceito com o produto nacional.

Portanto, da próxima vez que for comprar um suplemento alimentar, analise bem suas opções e peça orientação de um nutricionista capacitado para uma indicação adequada. Assim como há produtos excelentes de origem estrangeira, também há similares nacionais, o mesmo valendo para produtos de má qualidade. Lembre-se, o melhor produto será aquele que atender às suas necessidades e respeitar o consumidor, independente do país de procedência.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Bebidas alcoólicas e Suplementos

Olá, Pessoal!


Dando uma pausa na série de matérias sobre os suplementos que estão dando o que falar, vamos falar hoje sobre uma coisa que muitas pessoas me perguntam quando estão consumindo algum suplemento: Usar suplementos e ingerir bebidas alcoólicas faz mal?


A suplementação nutricional serve para atingir determinado nível de nutrientes que estão em quantidades insuficientes na alimentação, ou para melhorar o desempenho esportivo. Antigamente, somente atletas consumiam suplementos esportivos em grande escala, mas atualmente o que se nota é que cada vez mais indivíduos fisicamente ativos e preocupados com a saúde buscam nesses produtos uma ajuda para alcançar seus objetivos e melhorar a saúde.

Como mencionado anteriormente, uma dúvida muito comum entre essas pessoas é se o consumo de álcool atrapalha e/ou faz mal quando o indivíduo faz uso de suplementos. Apesar do álcool não combinar com saúde e atividade física, não há problema algum em usar os suplementos e consumir bebidas alcóolicas, desde que em momentos distintos, pois o álcool atrapalhará o metabolismo do suplemento (digestão, absorção e possivelmente os efeitos) se forem ingeridos na mesma hora. Fora isso, não há interação negativa entre os nutrientes e nenhum efeito adverso.

O que não significa dizer que os resultados serão os mesmos com o consumo dessas bebidas. O consumo de álcool (a depender da quantidade) pode atrapalhar decisivamente não só no desempenho esportivo, mas também na saúde, pois causa a desidratação corporal, prejudica o fígado e suas funções reguladoras do metabolismo corporal e altera estado de humor e reflexos. A prática de exercícios é beneficiada com o uso dos suplementos corretos, mas pode ser prejudicada com o consumo de álcool.


Sendo assim, não há necessidade de interromper o consumo de bebidas à base de álcool quando estivermos usando suplementos, mas beber com moderação é essencial para que isso não venha a atrapalhar nos seus objetivos e resultados.

domingo, 24 de abril de 2011

Alerta sobre suplementos da moda (Parte 3 - M-Drol / D-Drol)

Olá a todos! Como prometido, mais uma matéria da série que vem trazendo muita discussão no blog. Hoje falaremos sobre o M-Drol e o D-Drol, que vêm sendo muito utilizados pelas pessoas nas academias com o intuito de aumento de massa muscular.

Para começar, eis os ingredientes do D-Drol:
  • 2α,17α-Dimethyl-5α-Androstane-3-One-17β-Ol
  • Estra-4,9-Diene-3,17-Dione
  • 17α-Methyl-Etioallocholan-2-Ene-17β-Ol
  • Bergamottin (DHB)
  • Liver Support Complex
Os 3 primeiros ingredientes são esteróides sintéticos, ou seja, fazem parte do grupo tão mal-falado dos anabolizantes esteróides. Além disso, são substâncias que sofreram uma alquilação na posição 17α para que possam resistir ao catabolismo do fígado, o que as tornam anabolizantes de via oral. Por isso, a hepatotoxicidade (capacidade de fazer mal ao fígado) é altíssima. São substâncias que ainda contam com uma esterificação na posição 17β (processo comum nos anabolizantes em óleo injetável) para permanecerem ativas no organismo por mais tempo, potencializando os resultados.

O Bergamottin (DHB) é uma substância natural encontrada em algumas frutas cítricas, como a toranja (grapefruit), que tem como função aumentar a biodisponibilidade (aproveitamento pelo nosso corpo) de agentes fármacos.

O Liver Support Complex tem como finalidade a proteção do tecido hepático. Composto de silimarina e de Dandelian root (erva), esse complexo de substâncias é utilizado para proteger as células do fígado agindo como antioxidante e capaz de promover a desintoxicação hepática. Existem mais duas substâncias nesse complexo: a N-Acetyl-L-Cisteína, que parece ser capaz de aumentar os níveis de glutationa (poderoso antioxidante natural) no nosso organismo; e também o Ácido Alfa-Lipoico, que vem sendo usado em conjunto com a silimarina para tratamento de problemas no fígado.

Ah, mas que legal esse fabricante (4EverFit)!! E daí que ele venda um ANABOLIZANTE ESTERÓIDE disfarçado de Suplemento Alimentar?! O que é importante é que ele colocou também substâncias que TALVEZ protejam meu fígado e, ainda por cima, não apresentam efeitos colaterais. Fantástico!

Mas quando se trata dos anabolizantes contidos na fórmula do produto, há efeitos colaterais, sim! Antes de citá-los falarei do M-Drol (da marca Competitive Edge Labs), que é, na verdade, um produto que não se importa muito com seu fígado, pois possui basicamente o mesmo princípio do D-Drol sem o Liver Support Complex.

Os efeitos colaterais do uso de anabolizantes esteróides androgênicos são bastante conhecidos e divulgados pela mídia, mas não custa nada lembrar a quem pensa em usar esse tipo de subterfúgio para aumentar massa muscular.

Vamos à lista:
  • Queda da produção natural de Testosterona;
  • Infertilidade;
  • Irritabilidade / Hostilidade / Raiva;
  • Feminização no Homem;
  • Impotência;
  • Ginecomastia (Crescimento das mamas no Homem, podendo até causar secreção de leite);
  • Aumento do risco de câncer de próstata;
  • Comprometimento do sistema cardiovascular (aumento do coração, risco de AVC e infarto);
  • Aumento do LDL Colesterol e diminuição do HDL Colesterol, aumentando risco de doenças cardiovasculares como aterosclerose;
  • Problemas na glândula Tireóide;
  • Nas mulheres: Desenvolvimento de características masculinas como virilização, acne severa, crescimento excessivo de pelos faciais e corporais, voz grave, queda de cabelo, hipertrofia do clitóris, redução das mamas, amenorreia (ausência de menstruação);
  • Se usado por adolescentes que não completaram o crescimento, pode causar o amadurecimento precoce das epífises ósseas, limitando o crescimento;
Quase que a lista não acaba. Mas é incrível como as pessoas ainda insistem em utilizar anabolizantes mesmo sabendo de todos esses riscos. Muitos falam que isso só acontece se não usar da forma correta, mas o que não sabem é que não existe forma correta, o que existe são métodos de utilização padronizados que "servem" para a maioria das pessoas, mas que pra outras pode ser fatal. Sem falar que muitos dos males citados acima são vistos em longo prazo, ou seja, talvez o indivíduo só venha a manifestar quando estiver mais velho.

Como diz um grande e inteligentíssimo Professor de Educação Física amigo meu, quem utiliza anabolizantes para "ficar forte" precisa, na verdade, é de ajuda psiquiátrica.

Espero ter ajudado com mais essa matéria, ainda mais se tratando de dois produtos que 99% das pessoas acreditam que sejam suplementos alimentares, quando na verdade são anabolizantes esteróides.

Até a próxima!

Referências

FORTUNATO, R. S.; ROSENTHAL, D.; CARVALHO, D. P. Abuso de Esteróides Anabolizantes e seu Impacto sobre a Função Tireóidea. Arq Bras Endocrinol Metab, 2007; 51/9:1417-1424.
KICMAN, A. T. Pharmacology of anabolic steroids. British Journal of Pharmacology (2008) 154 502–521.
MCARDLE, Willian D., KATCH, Frank I., KATCH, Victor L. Fisiologia do Exercício. Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 6ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
SILVA, P. R. P.; DANIELSKI, R.; CZEPIELWESKI, M. A. Esteróides anabolizantes no esporte. Rev Bras Med Esporte, Vol. 8, Nº 6 – Nov/Dez, 2002.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Frozen Yogurt - uma alternativa saudável!

Mais uma Sexta-Feira vai acabando e outro fim de semana se aproxima. E a dica de hoje é bem útil para as saídas de Sábado e Domingo.

Hoje falaremos um pouquinho sobre a moda que caiu no gosto da galera: o Frozen Yogurt (aquele iogurte natural em forma de sorvete expresso). Já começo falando que atualmente vive-se um fenômeno bem interessante da busca pela alimentação saudável, coisa que praticamente não existia há algum tempo. Apesar de ainda termos muito o que mudar, a cada dia que passa mais pessoas passam a buscar opções saudáveis e fogem da cultura das junk-fast food (aquela péssima comida do ponto de vista nutricional).

Nessa onda do saudável (e gostoso) foi que surgiu os iogurtes frozen. Semelhantes a sorvetes na textura e, em alguns casos, até mesmo no sabor, muitas pessoas ainda têm dúvidas quanto a seu valor nutricional, ou seja, se realmente faz bem ou se é apenas mais uma jogada de marketing.

De uma forma geral, os iogurtes são produzidos com leite desnatado, ou seja, eles não possuem gordura. Se pegarmos o sorvete para comparar, ele vai perder feio, já que a quantidade de gordura (principalmente nos sorvetes cremosos) é bastante alta, com o fator agravante de possuir boa quantidade de gordura trans (que está diretamente relacionada com problemas cardiovasculares). 

Os iogurtes são ricos em proteínas de excelente valor biológico, um padrão que mede a qualidade dessa proteína. Sendo assim, são uma ótima fonte proteica para lanches. Na contra-mão, o que tem menos no sorvete é proteína.

Em relação aos "temidos" carboidratos, o frozen yogurt possui basicamente a lactose (carboidrato do leite) e a sacarose (açúcar de cozinha), para adoçar o produto. Há algumas opções no mercado de iogurte Diet, ou seja, sem açúcar adicionado. Em termos de quantidade, não é nada que vá prejudicar a saúde de alguém se este alguém consumir açúcar de maneira moderada durante o dia. Para efeito de comparação, o sorvete possui mais açúcar do que o iogurte.

Acabou por aí? Não! Alguns iogurtes, ainda por cima, podem possuir microrganismos benéficos à nossa flora intestinal, (bactérias que vivem no nosso intestino e ajudam a regular a função dele). São os chamados probióticos, inexistentes no sorvete. Tem-se estudado a possibilidade de adicionar aos iogurtes frozen fibras prebióticas (nutrientes que favorecem a colonização dos probióticos no nosso intestino), fazendo do iogurte um alimento simbiótico (pre + probiótico). Alguns iogurtes também são enriquecidos com cálcio, que é importante para saúde óssea, muscular e mental.

O que muitas pessoas não sabem é que esses iogurtes podem ser consumidos como refeições pequenas (lanches) e não somente como sobremesa de um almoço ou jantar, principalmente quando acompanhado de frutas e/ou castanhas. É aqui que a maioria das pessoas acabam cometendo pequenos deslizes: ao invés de encher o iogurte com caldas variadas, leite condensado, chocolates triturados e afins, a opção mais saudável é complementá-lo com frutas (de preferência de cores variadas) e castanhas/nozes (fontes de importantes minerais para nossa saúde).

Se você ainda não experimentou, segue a dica: aproveite o calor que tem feito nesse começo de Outono e dê uma chance aos frozen yogurts. E não vale a desculpa de não gostar do sabor do iogurte natural, pois a maioria dessas lojinhas oferecem também o iogurte com sabores de frutas diversas, dando mais opções para que todos possam experimentar essa alternativa gostosa e saudável.

Bom fim de semana a todos!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A natação e os suplementos!

Olá, pessoal!

Semana corrida e faculdade começando a tomar o tempo integral de vida!

Segue um link para um texto que escrevi pro site da SNC Salvador.

Clique aqui para ler a matéria!

Aproveitem e leiam as outras mil matérias sobre nutrição, suplementação e esportes lá.

Grande abraço e ótima semana a todos!

domingo, 27 de março de 2011

Alerta sobre suplementos da moda (Parte 2 - O Lipo 6 Black).

Olá, queridos leitores!

Dando continuidade a esta série de matérias sobre os suplementos que estão na moda nas academias ao redor do Brasil, hoje vamos discutir um pouco sobre o Lipo 6 Black (e toda a família Lipo 6). Trata-se de um produto da classe dos termogênicos, ou seja, aqueles suplementos que prometem aumentar a termogênese (aumentar o gasto energético, desperdício de energia e acelerar o metabolismo).

Figura do site oficial. Você se arrisca a encarar o sujeito da figura?
Os termogênicos promovem um efeito muito bom para quem quer aumento de energia e aquele "up" na disposição para malhar, assim como propiciam ao emagrecimento. Os ingredientes que compõem esse tipo de produto são basicamente estimulantes do Sistema Nervoso Central (SNC), com ação de estimular a liberação de adrenalina e noradrenalina, e alguns até possuem função semelhante à desses neurotransmissores presentes no nosso corpo. Essas duas substâncias (adrenalina e noradrenalina) tem função importantíssima no aumento do estado de alerta, na capacidade de realizar exercício e na mobilização de gordura para servir como fonte de energia. Outros benefícios que os princípios ativos dos termogênicos podem oferecer é a inibição do apetite, por exemplo.

Ainda não é totalmente comprovado que substâncias como a cafeína, sinefrina, L-tirosina e ioimbina possuem efeito emagrecedor, mas a maioria dos termogênicos possuem estes ingredientes na composição e eles realmente parecem ajudar na perda de gordura. O perigo do uso de termogênicos é quando estão presentes substâncias que comprovadamente podem comprometer a saúde mental e cardiovascular de indivíduos sadios.

E é aí que entramos na família Lipo-6. Trata-se de um suplemento proibido para venda no Brasil. Mas por quê?! Será que há algum motivo para ele ser proibido mesmo? E será que ele é o único que realmente funciona? Vale a pena arriscar a saúde em busca de um resultado possivelmente maior?

A família Lipo 6 Black é constituída por um ingrediente chamado 3,5-Diiodo-L-Tironina. É um hormônio mais conhecido como T2. Ele tem função de modular a atividade da glândula Tireóide. A glândula Tireóide é localizada na região do pescoço e é responsável pelo controle do metabolismo do seu corpo. Uma maior atividade da Tireóide faz a pessoa ser mais ativa e geralmente mais magra (por gastar mais energia), já uma menor atividade resulta no contrário (pessoas mais calmas, sonolentas e menor gasto energético). Ou seja, o Lipo-6 Black possui atividade pré-hormonal estimulando a ação da Tireóide. O problema disso? Qualquer desbalanço hormonal pode induzir a quadros de doenças endócrinas, como uma hipo ou hipertireoidite. É o barato que sai caro.

E por mais que as pessoas pensem "Ah, mas isso não vai acontecer comigo, vou tomar somente 1 frasco do produto, só 1 mês", a possibilidade de alteração na função da Tireóide pode acontecer nesse curto espaço de tempo. A pessoa pode ser geneticamente predisposta a desenvolver algum problema tireoidiano e o simples uso do suplemento pode desencadear esse processo que talvez só acontecesse em outro estágio de vida ou sequer se manifestasse.

Já os termogênicos que são permitidos para venda no Brasil passam por um processo de registro mais rigoroso quanto às substâncias neles presentes, fornecendo mais segurança para quem os toma e, com exceção dos ingredientes perigosos, possuem exatamente a mesma formulação dos "proibidos". O que se vê na prática é que o efeito do uso de um bom termogênico legal pouco difere do resultado de um termogênico ilegal. O que enfraquesse aquela máxima de que: "O proibido é sempre melhor".

O importante é sempre consultar um nutricionista para indicação do uso de um suplemento bom e confiável, que não irá prejudicar sua saúde. Lembrem-se sempre, a saúde vem em primeiro lugar, e por consequência leva aos resultados estéticos esperados.

Referências

GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 10a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
GOLDSTEIN, E. R. et al. International society of sports nutrition position stand: caffeine and performance. Journal of the International Society of Sports Nutrition. V. 7, n.5, 2010.
INCHIOSA JR., M. A. Experience (Mostly Negative) with the Use of Sympathomimetic Agents for Weight Loss. Journal of Obesity. 2011.
LOMBARDI, A. et al. 3,5-Diiodo-L-thyronine rapidly enhances mitochondrial fatty acid oxidation rate and thermogenesis in rat skeletal muscle: AMP-activated protein kinase involvement. Am J Physiol Endocrinol Metab 296: E497–E502, 2009.
RASCOVSKI, A. et al. Eficácia e Tolerabilidade das Substâncias Calorigênicas: Ioimbina, Triiodotironina, Aminofilina Combinada a Efedrina e Fenilpropanolamina no Tratamento da Obesidade a Curto Prazo. Arq Bras Endocrinol Metab 2000;44/1:95-102.

terça-feira, 15 de março de 2011

Dextrose X Maltodextrina

E aí, pessoal!


Desculpem a ausência aqui no blog! Estava viajando e só voltei agora, após recarregar as energias para mais um ano que começa, afinal, no Brasil o ano só começa após o carnaval, não é o que dizem?!

O título do post é auto-explicativo. Todo mundo que já procurou suplementos um dia se deparou com a dúvida: Devo tomar maltodextrina ou dextrose? E o que são?

Para esclarecer tudo que diz respeito a esses dois carboidratos, segue o LINK para o excelente texto escrito pela colega Bianca Gonçalves no site da SNC Salvador.

Aproveitem e acessem as demais matérias do site que sempre são bem enriquecedoras.

Até mais!

terça-feira, 1 de março de 2011

Alimentação para o Carnaval

Uma das maiores, senão a maior festa popular de todo o mundo, o carnaval da Bahia é uma manifestação cultural que exige muito do físico do folião. Concomitante a isso, as opções de comidas nas ruas não são as mais confiáveis e saudáveis e há o consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

Diante de enormes distâncias percorridas a pé ao som frenético do trio elétrico, o desgaste físico é enorme. O corpo desidrata, o músculo cansa, e os efeitos são sentidos na mesma hora, ou no mais tardar no dia seguinte. Mas quais seriam as melhores formas de combater isso em plena avenida? Como encarar bem a maratona que é o carnaval de Salvador de maneira saudável?

Para começar, devemos nos preocupar sempre com a hidratação. O consumo de bebidas não alcoólicas deve ser feito de maneira constante durante o percurso. A bebida alcoólica, ao contrário do que se pensa, não hidrata quando consumida em grande quantidade, pois o álcool induz à diurese (formação de urina), que acaba aumentando a desidratação. Mas também não é necessário deixar de beber um drink ou uma cerveja por causa disso, o recomendável é nunca deixar de beber água (de preferência mineral, por causa da higiene) por pelo menos 1 hora.

Quanto à alimentação, a maioria das pessoas esquece este importante fator. E como o que acontece geralmente é o consumo exagerado de álcool, essa soma pode ser catastrófica para o organismo. Fazer refeições leves no carnaval é essencial para manutenção da energia mental e muscular. Por isso, devemos ingerir algum alimento pelo menos a cada duas horas de folia. O problema, muitas vezes, é a escolha desse alimento. Antes de sair de casa, evite comidas muito pesadas como feijoadas e moquecas. Na rua, dê preferência a sanduíches leves (sem frituras e condimentos, por exemplo) feitos na hora ou industrializados, pois previne o risco de uma intoxicação ou uma toxinfecção alimentar. Evite o consumo de alimentos gordurosos, pois eles retardam o processo de digestão, deixando aquela sensação de estufamento. Beber sucos de fruta é bastante indicado para uma refeição leve e rápida. Até o refrigerante tem seu lugar, desde que não seja diet ou light, pois estes não possuem o açúcar, que servirá como energia no seu organismo.

Quanto à higiene, se possível, não consuma os famosos churrasquinhos, cachorros-quentes, queijos-coalho e frituras: estes alimentos são um carnaval à parte para microrganismos que fazem mal à saúde.

Algumas dicas podem ser valiosas:

- Observe as condições de higiene do ambiente;
- Observe a higiene do vendedor (se ele manuseia o dinheiro e o alimento com as mesmas mãos, por exemplo);
- Verifique a limpeza do estabelecimento;
- Não consuma aquele queijo que já está amarelado e mais rígido (a proliferação de bactérias já é visível, nesse caso);
- Maioneses, catchups e mostardas devem ser guardados sob refrigeração, assim como alimentos crus;
- Não ignore seu olfato: se algo não cheira bem, é porque não deve estar bem.

Dentre os suplementos, podemos usar repositores energéticos baseados em carboidratos para manutenção e recuperação dos níveis de energia. Eles existem sob a forma de pó para mistura, podendo ser levados em garrafinhas para o circuito; também sob a forma de gel e balas, o que os torna bastante práticos, podendo ser levados no bolso do short.

Outro tipo de suplemento bem utilizado pelos foliões é a cafeína. Por agir como um estimulante do sistema nervoso central e aumentar os níveis de atenção e alerta, além de aumentar a capacidade de esforço (o que diminui a percepção de dor muscular), a cafeína pode ser aquele estímulo energético a mais para melhorar sua folia. Um conselho para quem usar a cafeína: não se esqueçam de beber água, pois a cafeína pode aumentar um pouco a perda de líquidos (que já é aumentada naturalmente com o calor, a agitação e o álcool). Deve-se ter cuidado ao usar esse tipo de produto, pois ele é contraindicado para pessoas com problemas de pressão, problemas cardiovasculares, gastrite, esofagite, refluxo, ansiedade e/ou depressão.

Então, lembrem-se: cuidem da alimentação durante o carnaval. Não se esqueçam da hidratação com água mineral, da ingestão de refeições leves e, se quiserem mais energia e disposição, de procurar o suplemento correto. Esses detalhes importantes e simples são de suma importância para que você arrase no carnaval, e não que o carnaval arrase você.