sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O que comer antes de malhar?





Olá, pessoas interessadas em saúde! O título da matéria é auto explicativo, né?!


Então, quase todo mundo que frequenta uma academia ou pratica algum esporte (senão TODO mundo) já se perguntou isso um dia. Se você é nutricionista ou estudante de nutrição, quantas vezes alguém já te perguntou, enquanto corria numa esteira, o que precisa "tomar" ou comer para perder aquelas gordurinhas, manter aquele físico sarado ou ficar mais forte? Pois é, e nós nutricionistas às vezes não sabemos responder por achar que nutrição esportiva é algo absurdamente diferente da nutrição clínica que aprendemos na faculdade, não é? E é nessas horas que o personal trainer adora indicar "dietas" e prescrever suplementos para seus alunos. Mas isso é papo para outro momento.

O que nós precisamos entender é que a nutrição esportiva não é um bicho de sete cabeças e segue toda a teoria da nutrição clínica, com mais alguns detalhes apenas. Então vamos ao que interessa. Por se tratar de um assunto bastante extenso, vou dividi-lo em partes, ok?! Então vamos à primeira parte: Os carboidratos.

Os carboidratos são os principais nutrientes fornecedores de energia para o exercício físico. A gente vai ver mais adiante no blog como funciona a queima de carboidratos, gorduras e proteínas de acordo com o tipo de exercício, mas vamos focar agora no carboidrato como principal nutriente para o desempenho. A refeição pré-treino deve ser leve e realizada entre 1 hora e 1 hora e meia antes do exercício. Por quê? Pois esse período de tempo é suficiente para a digestão de uma refeição leve, como por exemplo, uma banana acompanhada de uma fatia de pão integral e uma fatia de ricota. Dessa forma, durante seu treino, você retardará a depleção dos seus estoques de glicogênio (forma de carboidrato que estocamos no músculo e no fígado), o que adiará a chegada da fadiga muscular. A ingestão de uma refeição mais pesada requer um tempo maior de digestão, então caso você treine depois de um almoço, por exemplo, dê um espaço de tempo maior para começar a atividade física. Quanto ao tipo de carboidrato, prefira os de baixo a moderado índice glicêmico (capacidade do alimento de elevar a insulina no sangue) nesse momento. Evite pão branco, açúcares, batata, tapioca, cereais industrializados açucarados e outros alimentos de alto índice glicêmico. O motivo é simples: a secreção aumentada de insulina pode diminuir drasticamente a concentração de glicose no sangue, causando uma hipoglicemia rebote no momento do exercício. Os sintomas são: tremores, ansiedade, palpitações, palidez, frio, sudorese (aquele "suar frio"), entre outros.

As frutas são bastante indicadas por diversos nutricionistas para compor a refeição pré-treino, e até mesmo durante. Porém, quase todas as frutas são riquíssimas em frutose, que é um carboidrato não muito legal para o exercício físico. A frutose é muito lentamente absorvida, pode gerar desconforto gastrointestinal e ainda precisa ser transformada em glicose para ser utilizada por nossas células. Então, definitivamente, ingerir exclusivamente frutas antes e durante o treino não é nada legal. Além disso, a fruta geralmente tem alta quantidade de fibra, o que retardaria o processo digestório, também nada legal para uma refeição pré-treino, concordam? A exceção seria a banana, uma fruta não tão rica em frutose (possui bastante amido) e com pouca quantidade de fibra. Ah, gente, comer banana durante o treino não evita câimbra não viu?! Depois falamos sobre isso...                                  

Se você chega do trabalho sem tempo de comer e esperar 1 hora para malhar, não tem problema. Lembre-se, exercício físico em jejum NUNCA! Faça uma refeição bem leve cerca de meia hora antes do início da atividade. Nesse momento, dê preferência para refeições líquidas, que serão mais rapidamente absorvidas do que alimentos sólidos. Um suco é uma boa pedida. Você pode usar também suplementos de carboidratos como a maltodextrina. Evite vitaminas ou outras bebidas lácteas. O motivo é a lactose, o carboidrato presente no leite. Este tipo de carboidrato fermenta muito facilmente no nosso intestino, gerando gases, desconforto e retardando o processo de absorção. Para quem é intolerante à lactose então, pior ainda (e boa parte da população é, sem nem saber).

Você quer emagrecer? Então não se esqueça de ingerir uma fonte de carboidrato antes do treino. Isso mesmo! Quando estamos em jejum, o nosso corpo sofre regulações hormonais que aumentam a quebra de proteínas musculares. Ou seja, durante a atividade física, você estará perdendo músculos. É necessária a disponibilidade de carboidrato para que se comece a queimar as gordurinhas, você já deve ter ouvido: "A gordura queima na chama do carboidrato".

Bom, gente, basicamente é isso. Confesso que não consegui pensar em mais nenhuma situação para adequar o consumo de carboidratos antes do treino. Caso vocês pensem em alguma, por favor, postem nos comentários para que eu possa responder, ok?

Posteriormente falarei sobre a ingestão de proteínas, gorduras e a hidratação antes da atividade física. Então, fiquem ligados e até lá!

domingo, 29 de agosto de 2010

A creatina - parte 2!

Olá, queridos seguidores do blog!

Como prometido, vamos continuar a falar sobre a creatina. Hoje irei dizer como deve ser feita a suplementação, possíveis riscos, indicações e contraindicações. 

Pra começar, a creatina é considerada o suplemento alimentar ergogênico (que promove aumento de desempenho) mais potente para aumento de força e massa muscular, segundo a Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva. É fato também que a creatina não melhora o desempenho em 20 a 30% das pessoas, devido aos seus estoques de creatina já estarem em um nível alto, seja devido à dieta ou a outros fatores genéticos. De acordo com inúmeros estudos, o aumento da concentração de creatina na célula de indivíduos suplementados pode variar de 10 a 40%. Estudos demonstraram ainda que este aumento tende a ser maior em indivíduos vegetarianos, pois as maiores fontes de creatina são a carne vermelha e a de peixe. Então, vamos às indicações...

Conforme explicado no post anterior, a creatina tem efeito comprovado para exercícios de alta intensidade e curta duração. Como exemplo, temos: musculação, levantamento de pesos, arremesso de peso, corridas de curta duração (50m e 100m), artes marciais, entre outros que se encaixem nesta descrição.
Além destes esportes, há outros que envolvem tanto atividades de longa duração e intensidade baixa a moderada, quanto atividades de alta intensidade por períodos curtos. São eles: futebol, tênis, vôlei, futebol americano... Esses esportes também podem ser beneficiados pelo uso da creatina, aumentando a capacidade de explosão e força.

Vale ressaltar algumas considerações. Para esportes de luta como boxe, por exemplo, o aumento de peso gerado pela creatina pode ser indesejável, portanto a adequação e orientação profissional a cerca de sua suplementação é imprescindível. Outro esporte no qual há certa incerteza da suplementação é a natação, pois o aumento de peso pode afetar a flutuação do atleta.

Agora vamos às estratégias de suplementação. Há dois métodos que foram atestados cientificamente como eficientes. O primeiro deles é o mais conhecido também: o método da Saturação. A teoria é encher rapidamente a célula muscular de creatina. Para isso, a pessoa ingere 0,3mg/Kg de peso corporal (cerca de 20-25g de creatina) por dia, durante 5 a 7 dias. Essa dose é dividida em 4 a 5 doses de 5g (1 colher de chá cheia) durante o dia. Após esse curto período, há a fase de manutenção, na qual o indivíduo ingere cerca de 5g por dia.

O outro método não exige saturação, ou seja, a pessoa já começa com a dose de 5g diárias.

É recomendável ingerir a creatina associada a uma fonte de carboidrato de alto índice glicêmico e uma fonte de proteína, pois esta combinação aumenta a captação celular de creatina no músculo.

Ambas as estratégias são eficazes e após 1 mês de uso geram os mesmos resultados. A vantagem principal do método de saturação é o aumento rápido de peso e de força, enquanto que o outro método faz a suplementação se estender por mais tempo.

Quanto ao tipo de creatina, aquela que comprovadamente funciona é a creatina monoidratada (aquela em pó, mais popular). Outras formas, como a creatina etil éster, não são melhores que a monoidrato. Já existem alguns produtos de creatina monoidratada disponíveis para compra no Brasil, todos já devidamente registrados na ANVISA.

Dizem por aí que a creatina causa prejuízo renal. Isso não passa de um mito (um dos muitos). A verdade é que em indivíduos que possuem problemas renais, a suplementação de creatina pode agravar o quadro, enquanto que em indivíduos saudáveis, INÚMEROS estudos demonstraram que a creatina não causou problema algum. Inclusive alguns estudos recentes têm demonstrado que a suplementação aguda de creatina não traz problemas a rins debilitados. Portanto, a suplementação de creatina em indivíduos saudáveis é SEGURA. Porém, isso não significa que todos devem suplementar sem orientação profissional de um nutricionista.

Bom, por hoje é só. Creio que já falei bastante sobre a creatina e suas formas de usar. E saibam que seus benefícios não se resumem a isso, há ainda outros pontos importantes que ainda virei a falar aqui no blog.

E lembrem-se sempre, qualquer dúvida, sugestão, o espaço de comentários é de vocês!

Até a próxima!

domingo, 22 de agosto de 2010

Os famosos Packs!

Olá, pessoal!

Já ouviram falar nos Packs não é?!


Aqueles produtos beeeeem procurados pelos aficcionados por musculação com o intuito de aumentar massa muscular, cheios de cápsulas, tabletes...

Então, segue um link (Clique Aqui!) pruma matéria escrita por mim no site da Sports Nutrition Center (SNC) Salvador, esclarecendo o que são esses produtos e pra que servem.


Só aproveitando a deixa para recomendar a vocês a leitura de vários artigos que estão no site falando sobre suplementos alimentares escritos por colegas meus.

Grande abraço e bom restinho de fim de semana pra todos.

sábado, 14 de agosto de 2010

A creatina!

Olá, Pessoal!

     Como foi sugerido nos comentários e por se tratar de um assunto que está causando um alvoroço enorme entre os praticantes de atividade física, principalmente os adeptos da musculação, vamos falar sobre a creatina.
     No dia 27 de Abril de 2010, a ANVISA (enfim) liberou a comercialização da creatina no Brasil. Desde então muitas pessoas desejam usar essa substância com os mais variados objetivos. Sabe aquele suplemento da moda? Pois então, a creatina voltou à moda, e tudo que é sinônimo de moda pode vir a ser usado de forma incorreta ou até mesmo desnecessária.

Mas o que é a creatina e como ela funciona?

     A creatina é um composto guanidínico (não uma proteína, tampouco um aminoácido conforme afirmam alguns autores) que pode ser sintetizado pelo nosso próprio organismo a partir de 3 aminoácidos (arginina, glicina e metionina).
     Nosso corpo utiliza vários meios para obter energia e realizar trabalho (movimento / atividade) de acordo com a rapidez com que essa energia é fornecida. O sistema ATP-CP (fosfocreatina) é o mais veloz nessa tarefa, porém também é o que se esgota mais rápido, com duração média de 10 segundos. Sendo assim, ele se torna o principal sistema de energia utilizado em exercícios de alta intensidade e curta duração.
     O ATP (Adenosina Trifosfato) é a moeda de energia corrente no nosso organismo (forma de energia que utilizamos para gerar trabalho). A equação é simples, nós temos um estoque de ATP armazenado nas células pronto para ser utilizado. A hidrólise do ATP – processo que quebra uma ligação fosfato liberando energia – gera uma molécula de ADP (Adenosina Difosfato). E onde a creatina entra em cena? Exatamente nesse momento. A creatina fica armazenada no músculo sob a forma de creatina livre (~33%) e Fosfocreatina (~66%), sendo esta última a responsável pela regeneração do ADP em ATP, disponibilizando energia novamente para a célula. Resumindo, a fosfocreatina permite a reciclagem de ATP. Além disso, a creatina livre também se transforma em fosfocreatina, podendo participar desse processo.
     A ideia por trás da suplementação de creatina é aumentar esses estoques de creatina livre e fosfocreatina para aumentar o tempo de fornecimento rápido de energia para a célula (em até 10 segundos), consequentemente aumentando o desempenho, a força e adiando a chegada da fadiga, como nos exercícios de levantamento de pesos, musculação, 100m rasos, entre outros exercícios de alta intensidade e curta duração.
     Outro papel fundamental da creatina no auxílio ergogênico é o aumento da síntese (formação) de proteínas, base para a constituição do músculo. A creatina leva água para dentro da célula e esse “enchimento” aumenta a síntese de proteínas e também de glicogênio, por constituir um sinal anabólico para a célula. Esse aumento na retenção hídrica celular causa o que chamamos de “inchaço”, deixando a pessoa literalmente inchada durante o uso da creatina, porém esse efeito é perdido em torno de 1 mês após a interrupção de uso, tempo necessário para os estoques de creatina e fosfocreatina musculares voltarem ao normal. O que resulta desse processo é um músculo maior e mais potente.
     Muito bem, agora que já sabemos como a creatina suplementada atua no nosso organismo, resta saber como suplementá-la, certo?! Isso é assunto para o próximo post, onde abordarei também os possíveis riscos, precauções e contraindicações do uso da creatina.

Um abraço e até breve!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sejam bem-vindos!

Olá a todos que acompanham (ou acompanharão) o blog EsporteNut!!

Nesse espaço iremos conversar sobre como a alimentação e a atividade física se relacionam e como uma pode ajudar a outra. Teremos matérias que abordarão desde a alimentação correta para um praticante de atividade física até assuntos mais complexos como discussão de artigos científicos, sempre trazendo novidades e curiosidades interessantes acerca da nutrição e suplementação esportiva.

Teremos também matérias assinadas por nutricionistas e professores de educação física sobre os temas mais variados dentro da linha da nutrição e do esporte.

Juro que tentarei divulgar no mínimo duas matérias por semana, sem limite máximo, é claro!

Então é isso, acompanhem o blog, comentem, dêem suas opiniões, critiquem e também sugiram temas de seus interesses, ok?!

Grande abraço!